FESTA DE ANIVERSÁRIO... REENCONTRO
DE ALMAS COMPARTILHADAS.
DE ALMAS COMPARTILHADAS.
NÚCLEOS:
RECIFE 1739 > RIO DE JANEIRO 2006
Clemêncio > Haroldo
Demóstenes > Violeta
Carlota > Helena
Joana > Hilda
Tobias > Vicente
Andrada > Davi
Mariana > Sandra
Otávio > Henrique
Antero > Victor
Maria > Victória
2006 (RIO DE JANEIRO)
Perfil dos Protagonistas atuais:
(Tomo como personagem principal para esta apresentação o Sr. Haroldo, chefe do núcleo familiar em tela):
Haroldo (pai) - Pessoa boa e idônea, de caráter firme, bem humorado e de idéias e atitudes benévolas. Interessado e simpático a Crença Espírita, mas não convicto ainda, até porque não a pratica, só tratando dela em longas conversações com o filho caçula.
É proprietário de uma oficina de tornearia mecânica de porte médio. Empresa esta, que se solidificou graças a sua destreza e habilidade, quase que artística ao manufaturar as peças que lhe são encomendadas, pedidos estes, que lhe chegam de vários estados do país e cujo faturamento, lhe proporciona confortável situação econômica, permitindo-lhe atender globalmente as necessidades materiais da família.
É um marido extremamente fiel, dedicado e apaixonado pela esposa, entretanto, essa sempre que está com ele a sós, não perde oportunidade em atormentá-lo e angustiá-lo, demonstrando por ele estranha e inexplicável aversão, o que obviamente, deixa o Sr. Haroldo muito entristecido, intrigado e infeliz.
O Sr. Haroldo de tempos em tempos, entra em depressão após conflitos mais exacerbados com sua esposa. Nestas oportunidades ele se recolhe a sua oficina, onde exibe reações estranhas, tais como, ficar martelando insistentemente pedaços de metais, como que, se lhe pretendesse mudar as formas. Insiste nessas batidas por horas dentro da noite, até chegar a exaustão e por lá mesmo dormir.
No dia seguinte ao despertar se mostra inquieto; pertubado com a repetição destes impulsos e brinca consigo mesmo:
"Será que em meu intimo eu estou querendo trocar minha profissão de torneiro pela de artesão ou escultor”?
Sofre de uma dor de cabeça diária e tormentosa, que o acomete desde o dia seguinte ao seu casamento. Estas dores se iniciam as 06:00h da manhã e perduram por meia hora, só se interrompendo as 06:30h. Os médicos não conseguem diagnosticar tal mal, nem lhe prescrever medicamento eficaz.
O Sr. Haroldo se relaciona bem com toda a família, exceto com sua esposa, D. Violeta.
Apresenta algumas reservas a um amigo do filho caçula, mas o trata com distinção e respeito.
O filho caçula e os netinhos são o seu xodó.
Haroldo tem 55 anos.
Violeta - (esposa de Haroldo) - é uma pessoa tensa e um tanto intolerante.
O esposo e o filho, bem que tentam constantemente tocarem seu coração, porém, ela sempre os repelem, com o filho de forma acintosa e pública e com o marido de maneira mais velada, quando na presença de alguém, contudo, quando estão a sós ela o espezinha e o maltrata, achando que assim, mantém as aparências para todos, do péssimo casamento que sustentam.
Em algumas oportunidades, D. Violeta experimenta real prazer ao presenciar as crises matinais de dores de cabeça do marido, mas logo, recupera a razão e arrepende-se de tais sensações prazerosas com o sofrimento de Haroldo e fica consternada, por não entender a alegria que lhe dá ver aquele homem sofrendo tanto.
O restante do núcleo familiar, exceto o caçula, recebe dela a atenção, o carinho e os cuidados de uma mãe zelosa e amorosa.
Não tem convicção religiosa e se alterna entre freqüentar os cultos Católicos Romanos e de Umbanda.
Apresenta-se uma pessoa mais velha do que o é, pois esta constantemente melancólica e sem ânimo, quando na presença ou em contato com o filho e com o marido. É extremada avó, fazendo pelos netos o possível e o impossível para vê-los felizes e realizados.
Violeta tem 50 anos.
Helena - (filha) - Bastante insensível e por vezes, de tão prática, chega às raias da crueldade. É completamente avessa aos valores padronizados de conduta moral, porém, sem se tornar vulgar, só vislumbra obter vantagens materiais em suas empreitadas.
É secretária executiva de um holding.
Só se mostra dócil e gentil com um amigo da família e muito ligado a seu irmão, mas tenta o ignorar como homem, embora, se sinta atraída por ele, pois o acha muito conservador e moralista. Utiliza-se de sua beleza física e persuasão para formar uma legião de homens apaixonados, os quais, ela impiedosamente ignora e os rotula por fracos sentimentalistas.
Inúmeras vezes fez projetos de ir morar sozinha, mas nunca conseguiu fazê-lo, porque não consegue conceber a hipótese de se afastar de seus sobrinhos, pelos quais é totalmente apaixonada e dedicada.
É Deísta.
Helena tem 25 anos.
Davi - (vizinho) - Jovem viúvo e Judeu por crença, possuidor de grande patrimônio imobiliário e de uma empresa de ônibus.
Extremamente apaixonado por Helena. Casou-se com uma jovem de sua religião de nome Sandra.
Sofreu por parte de Sandra a traição da infidelidade conjugal, pois a moça o traia acintosamente com outros homens, sem o menor pudor em poupá-lo emocional e socialmente. Sandra apareceu morta em um motel juntamente com um amante, por overdose de entorpecentes.
Davi amargou o dissabor de toda esta situação, mas religioso e convicto, não se deixou amargurar de forma drástica.
Por sempre ter amado Helena, se imaginava em outra situação, se talvez não tivesse optado pela tradição e se submetido a um casamento religioso e de conveniências.
É amicíssimo do irmão de Helena e só a ele confidencia sua paixão por ela.
Ficou viúvo aos 29 anos, permanecendo casado com Sandra apenas um ano. É também extremamente apegado e fascinado pelas crianças da família, sempre os presenteando com objetos finos e caros.
Davi tem 30 anos
Hilda e Vicente - (filha e genro) - Filha mais velha do Sr. Haroldo, mostra-se autoritária e orgulhosa de sua crença religiosa (protestante), é casada com Vicente que é muçulmano praticante mas não radical, e como a mulher, muito pragmático ao defender as máximas de sua crença.
O casal só se entende quando estão na prática do ato sexual, fora do quarto estão sempre estranhando-se um com o outro, ou com os outros membros da família, pois não perdem oportunidade em tentar impor ascendência moral e religiosa aos outros.
Ao Sr. Haroldo toleram e respeitam, por serem dele dependentes econômicos, pois Vicente é empregado burocrático e sem importância dentro da companhia de seguros em que trabalha.
O alvo preferido pelo casal é o irmão mais novo e único Espírita da casa, que diariamente ouve as críticas e censuras do casal à sua opção religiosa. Hilda divide com a mãe as tarefas de manutenção da casa. O casal é os pais das crianças já citadas e se mostram obstinados em amá-los e protegê-los.
Ambos têm 32 anos.
Henrique - (filho caçula) - Trabalha na oficina do pai e estuda medicina por absoluta vocação.
Consegue ainda tempo para se doar em voluntariado às obras sociais mantidas pelo Centro Espírita “Mansuetude, Caridade e Perdão”, no qual labora física e espiritualmente desde sua adolescência.
Mostra-se, com comportamento irrepreensível, é cordato, tolerante e fraterno.
Sempre tenta interferir benevolamente nos conflitos da família, porém, por ser confesso praticante da Doutrina Espírita Cristã e viver em um núcleo familiar composto por descrentes e por crentes de outras religiões, quase sempre, não é considerado em suas intervenções e, em algumas oportunidades é até estigmatizado.
Preocupa-se sobejamente com a condição de infelicidade conjugal a que estão submergidos seus pais.
Dos adultos, somente o pai e o amigo Davi lhe são gentis e solidários.
Os sobrinhos lhe são extremamente fraternos, queridos e afetuosos, e estão sempre prontos (embora muito jovens) a apoiá-lo e incentivá-lo, quando o tio é maltratado ou destratado por alguém.
Henrique pressente, que aquelas crianças tão amadas e dóceis, vão ser um dia a âncora e sustentáculo de todas as diferenças daquela desajustada família.
Davi tem 22 anos.
Victor e Victória - (netos) - São as crianças já tão exaustivamente mencionadas anteriormente.
São gêmeos e filhos de Hilda e Vicente. Apresentam desde o dia de seu aniversário, quando completaram cinco anos, sinais esporádicos de manifestação medianímica, manifestações estas, que ultimamente, vêm se apresentando de forma mais latente e pronunciada, o que deixa a família completamente aturdida e dividida. São crianças muitíssimo inteligentes e dedicadas as atividades escolares. Demonstram total unidade entre si e mantêm com o tio Henrique uma relação de afetuosidade e identidade, que surpreende a todos os outros membros da família. Aliás, isto vem a ser, mais um problema para Henrique, que constantemente é acusado de incutir crendices nas consciências das crianças.
Os gêmeos têm onze anos.
ORIGEM DA TRAMA (RECIFE 1739)
Clemêncio era homem de destaque da sociedade recifense, por sua importância no cenário artístico e cultural da cidade. Era escultor renomeado nacional e internacionalmente, arte esta, que lhe atribuía considerações distintivas, reconhecimento e uma razoável fortuna. Fazia exposições de seus trabalhos nas capitais mais importantes da Europa naqueles idos anos.
Ao retornar de uma destas viagens, descobre ter sido traído por sua esposa Mariana e por seu amigo Andrada, que era noivo Carlota, moça recatadíssima e de família influente na sociedade recifense.
O casal de infiéis ao serem avisados que foram descobertos, fogem de Recife. Clemêncio transtornado pela dor e pela vergonha inicia a investigar como os fatos se sucederam e descobre que Demóstenes, seu escravo e discípulo, é quem favorecia os encontros do casal de adúlteros e, que inclusive fora ele, quem os preveniu da descoberta dele e os auxiliou na fuga.
Clemêncio manda buscar o “mestiço” Demóstenes para uma conversa em seu atelier e durante violenta discussão com o mesmo, se enfurece e com o martelo que utilizava para dar forma as suas esculturas, desfere violento golpe sobre a cabeça de Demóstenes, que cai mortalmente ferido e agoniza da hora do golpe as 06:00 h da manhã até morrer em completa desesperação, meia hora após.
Ao aperceber a insanidade que cometera, solicita ao seu outro discípulo, também escravo de nome Otávio, e a que tudo assistira para socorrer o amigo e abandona o local em completo pânico e arrependimento. Otávio, testemunha ocular da sórdida cena sem nada poder fazer, pois estava muito fragilizado e doente, tenta durante os trinta minutos de agonia do amigo salvar-lhe a vida, e óbvio, que sem conhecimento algum sobre medicina, nada consegue fazer e assiste ao derradeiro suspiro de Demóstenes.
Otávio que já se encontrava em fase adiantada da tuberculose, doença esta, que há dois anos passados, também havia privado da vida sua esposa, que lhe deixou um casal de crianças para que ele criasse sozinho.
Pressentindo que sua hora não estava longe (desenlace), resolve silenciar sobre o testemunho do crime, após seu patrão lhe prometer amparo e educação para seus filhos gêmeos Antero e Maria.
Otávio que era um homem bom e justo, acaba acelerando o seu próprio desencarne, amargurado e corroído pelo remorso, vem a falecer alguns dias depois e exatamente no dia do aniversário de seus gêmeos, quando estes completavam cinco anos.
Joana era uma solteirona bonita e prendada, irmã e única parenta de Clemêncio e que mantinha uma "relação pecaminosa" de sexo há quinze anos com o padre Tobias, que na época era o capelão da Capital.
Joana insistia para que Tobias renunciasse ao sacerdócio, para que pudessem sair do "pecado", mas ele não admitia tal hipótese.
Quando destas crises de culpa, o casal decidia se separar e não mais se verem, mas bastavam alguns dias e lá estavam eles juntos em "pecado" novamente. Por não conseguirem se afastar um do outro e por já se comentarem sobre seu envolvimento, resolvem fugir de Recife, sendo, que nunca mais notícias se teve dos dois.
Sem a irmã para ajudá-lo na organização da casa e para supervisionar as necessidades inerentes a criação dos filhos gêmeos do falecido Otávio, Clemêncio propõe um casamento de aparências a Carlota, que sem horizontes maiores, aceita.
Casaram-se, mas nunca conseguiram se tocar mais intimamente e dedicam suas vidas a partir daí, a promoverem e cuidarem dos gêmeos Antero e Maria.
O HIATO ENTRE 1739 E 2006
Após os dramas conflitantes de 1739 na cidade de Recife, os protagonistas envolvidos, obtiveram do Plano Superior, mais duas reencarnações em rumos diferentes, em virtude dos Mestres anteverem, que não era ainda, conveniente, à reunião provatória e expiatória de todo o grupo, em conseqüência de se haver muito rancor entre alguns deles.
Cada qual em suas experiências novas, somente os gêmeos Antero e Maria, que já eram espíritos razoavelmente evoluídos e não comprometidos com o enredo de delitos de Recife, aproveitaram ao máximo estas duas oportunidades reencarnacionais.
Otávio só não o fez melhor, por ter um peso consciencial muito grande a expiar, porém foi quase perfeito.
Clemêncio também se esforçou bastante rumo a reforma moral (espiritual).
Andrada, não de forma tão intensa, mas aproveitou razoavelmente as duas oportunidades oferecidas.
Demóstenes, Carlota, Joana, Tobias e principalmente Mariana, não conseguiram aproveitamento de relevância desejável nestas duas últimas experiências na carne e se mantiveram estacionários em suas escalas evolutivas rumo progresso espiritual.
Ficou estabelecido pela Justiça Divina do Cosmos Superior, que a próxima reencarnação de todos (em relação) se iniciaria próximo ao meio do século XX, e que desta feita todo o grupo viria em laços de sangue e relacionamento.
Ficou também estabelecido os que viriam em prova, os que viriam em expiação e os gêmeos que viriam em missão de socorro e assistência a todo o grupo.
2006- RIO DE JANEIRO
Os conflitos e discórdias continuam abalando o núcleo familiar do Sr. Haroldo e D. Violeta. Os problemas de relacionamentos baseados no rancor, desgastam a todos e ao mesmo tempo, os intriga do porque, de todos permanecerem juntos e sempre se magoando uns aos outros.
Enfim, todos perguntavam a si próprios as causas de tanta desarmonia e melancolia. Porque isto ocorria com eles e em outras famílias de seus relacionamentos não?
No mês de Janeiro de 2006, quando toda a família, mais o amigo David, se encontravam em uma reunião íntima de comemoração do aniversário dos gêmeos que completavam 10 anos, exatamente, na hora de se cantar o tradicional "parabéns", Victória exibe uma certa transfiguração fisionômica bastante acentuada, parecendo se iluminar de divina e celeste luz, silenciando-se e parecendo a todos estar ausente dali. Todos notam e se preocupam, por não entenderem o que está acontecendo.
De repente aquele silêncio contemplativo é interrompido pela voz de Victor, que diz:
- Por favor... a Victória está pedindo um lápis e papel para que eu faça algumas anotações.
Henrique, conhecedor dos processos de manifestações mediúnicas, olha para todos e com o dedo indicador erguido o leva diante dos lábios, naquele gesto tão característico de solicitar silêncio, e logo após, se dirige à mesinha do telefone, onde pega um bloco de papel e um lápis, que ali se encontravam e os entrega docilmente a Victor.
Henrique percebendo que alguns dos presentes poderiam intervir naquele momento tão transcendente, por ansiedade e/ou ignorância, branda e fraternalmente, diz:
- Independente de nossas crenças religiosas, todos nós acreditamos em Deus, e com certeza absoluta o que estamos, iniciando a testemunhar aqui, é à vontade Dele, por isto, não interfiramos e aguardemos o desfecho do que há por vir.
Imediatamente ao encerramento das providenciais colocações feitas por Henrique, Victor que a esta altura já exibia a iluminada aparência de Victória, inicia a escrever, demonstrando nitidamente, estar em transe de comunicação telepática com a irmã.
Henrique, mais uma vez rompe o silêncio pasmo, que todos experimentavam e quase sussurrando, solicita a todos que elevem seus pensamentos ao Deus Pai Criador e Todo Poderoso, para que com seus eflúvios benevolentes, possam humildemente auxiliar aos queridos Victor e Victória nestes momentos de sublimes bênçãos.
Todos os presentes, prontamente atendem a Henrique e se colocam em fraterna, real e benévola confraternização de elevação de seus pensamentos ao Altíssimo. Passados alguns minutos, ninguém ali presente poderia precisar com exatidão o tempo de duração daquela real emanação de paz e luz que a todos contagiava, despertam pelo som da voz de Victória, que interpela:
- Porque todos estão com essas caras de bobo e não começam a cantar logo os parabéns?
Victor completa:
- Está todo mundo com cara de bêbado e ninguém bebeu... (todos gargalham com as falas das crianças).
Henrique mais uma vez chama para si a responsabilidade do controle da situação e diz:
- Claro que vamos cantar sim, pois para todos nós que aqui estamos, este é o dia mais feliz de nossas vidas e, não aconteceu nada aqui de extraordinário, até pelo contrário, que nos impeça de continuar nossa festinha... E vamos logo iniciar a cantoria... Parabéns pra você...
Enquanto todos cantavam, Henrique gesticulou, sinalizando a seu pai que era quem estava mais próximo de Victor, que recolhesse o lápis e o bloco de anotações, que continha a escrita psicografada pelo menino.
O Sr. Haroldo com descrição e astúcia, recolhe o material e o guarda no bolso interno do paletó.
Após a cantoria, os beijos, abraços e a distribuição de presentes, Henrique, percebendo ainda o clima de ansiedade dos adultos, toma a palavra e sugere de forma velada, que:
- Por favor, mais uma vez eu solicito a todos que se controlem em suas ansiedades naturais, pois para tudo se tem uma explicação, e a explicação está naquele "documento" guardado com o papai e que com certeza eu, dentro de minhas tímidas possibilidades e conhecimentos transcendentais, poderei ajudar a todos no que concerne a uma explicação, bastando para isto, que aguardemos a hora certa que garanto não ser agora.
Victor e Victória, mostrando-se "desconhecedores" sobre o que Henrique estava falando, fazem carinha de curiosos e coube a Victor questionar:
- Sobre o que o senhor está falando tio?
- De nada meu amor, ou melhor, são assuntos de gente grande, assuntos sem maiores importâncias.
A partir daí, todos se mostraram menos ansiosos, por entenderem que Henrique não achava conveniente envolver as crianças, uma vez, que elas pareciam não se lembrarem de nada.
A confraternização continuou e após as crianças se recolherem para dormir, todos quase que instantaneamente, avançaram na direção de Henrique e falando ao mesmo tempo, não se faziam entender, só causando confusão com seus questionamentos e apreensões.
Em meio a tal tumulto, o Sr. Haroldo com a autoridade que quase nunca demonstrava, dá um grito de basta, e determina:
- Calem a boca todos vocês!!! E vamos mais uma vez ficar quietos e atentos, pois, se o Henrique nos garantiu uma explicação certamente ele a têm.
E em seguida retira do bolso o bloco de notas, entregando-o ao filho.
Henrique antes de ler o contido no bloco, olha para todos profundamente e obtempera:
- O papai tem razão e vocês precisam colaborar com silêncio e boa vontade, se realmente estão empenhados em se esclarecerem!
Após uma breve pausa com todos em silêncio e ansiosos por ouvi-lo, reiniciou o Espírita Henrique a desenvolver suas considerações:
- Deus é infinitamente Justo, Bom e Único, e Ele não recomendou a nenhum de nós os seus filhos, que nutrissem fé nesta ou naquela crença. A autoria das diversas religiões existentes, exceto o Espiritismo, são de origem do homem, baseados nos ensinamentos dos diversos mensageiros de Deus, que aqui na Terra estiveram em missões de nos religar ao Todo Poderoso, em épocas e situações diferenciadas e de acordo com a evolução intelectiva e sensorial de nossa humanidade, em cada qual dessas épocas. E se Ele, o Deus Único de todos nós, permitiu a fundação de tantos e diversos credos religiosos, é porque todas levam a humanidade a elevar-se a Ele.
Todos nós sabemos, que desde os cinco anos de idade, nossos ternos e queridos Victor e Victória, também no dia de seus aniversários, iniciaram a evidenciar sinais de serem um tanto diferenciados de nós. Nós, os Espíritas, chamamos a esta “diferença”, ou hiper-sensibildade dos sentidos, de mediunidade, que quando usada para o bem é um presente de Deus, em socorro do esclarecimento e da evolução espiritual de seus filhos aqui na Terra.
Quem aqui não se lembra das audições e visões que ninguém percebia e que os dois desfrutavam e muitas vezes nos narravam. Ultimamente, percebemos também que os dois constantemente quando estão separados por qualquer razão, se comunicam entre si telepaticamente, pois além de médiuns, são também anímicos.
O que ocorreu aqui hoje, da forma mais espontânea e maravilhosa, com certeza, foi uma intervenção, ou melhor, está sendo, uma intervenção do Mundo Espiritual Superior, cujo regente neste nosso Orbe Terrestre é o Nosso Senhor Jesus Cristo, e que utilizaram nossas crianças para nos enviarem alguma mensagem de esclarecimento evolutivo, pertinente a um de nós, ou à parte de nós, ou mesmo, a todos nós.
Vamos agora a leitura e interpretação da mensagem psicografada por Victor e transmitida a ele por Victória:
- “Ninguém está junto em laços de família ou de relação, sem que estejam atendendo as suas vontades, ou a diretrizes da Dimensão Espiritual do Cristo de Deus
Também, não estão vocês (complementa Henrique: Nós), reunidos nesta encarnação ocasionalmente, e sim, para que avancem juntos em seus compromissos evolutivos, resgatando e reparando suas faltas também cometidas em grupo, num passado não muito longínquo .
Suas diferenças rancorosas, surgiram há muito tempo atrás, e todos aqui presentes, já reencarnaram duas outras vezes, em rumos diferentes após 1739, época em que, construíram todos os dramas que hoje purgam.
Foram-vos permitidas estas encarnações anteriores a essa atual, e conseqüentemente, posteriores aos fatos ocorridos em 1739, porque alguns de vós mais endurecidos em suas zangas, resistiam a idéia de novamente se unirem em grupo, para a reparação e perdão de vossos equívocos e crimes a lei de evolução, cometida em prol de vossas paixões materiais.
Os próprios Condutores da Evolução na Dimensão Espiritual acharam por bem, que esta vossa reunião fosse adiada e, por isto, reencarnaram vocês nas duas vezes anteriores divorciados do relacionamento, porém, agora por determinação superior, novamente estão em relações na vida corpórea em laços de sangue, de amor e de amizade .
Divina e indulgente oportunidade de vos repararem de suas faltas passadas, com amor, perdão, tolerância, caridade e retos no caminho do bem.
Pela má vontade e antipatia que alguns de vocês têm demonstrado para com os outros, acrescidos do não aproveitamento sábio destes, em suas duas últimas reencarnações em separados, enfim, pelas resistências oferecidas por alguns mais apegados às idéias inatas e intuitivas do pretérito, no sentido de imputarem o revanchismo e punirem uns aos outros, dando destacado lugar e importância à animosidade e a recrudescência da insana e involutiva vingança, em detrimento da sedução e da conciliação, hão de continuar ainda, a perseverança em busca da luz e, também, ainda, em conflitos por algumas existências, e como a presente, obrigatoriamente juntos e em relação.
A indulgência da espiritualidade em vos alertar agora, e com isto, permitir-vos a oportunidade da reparação pelo amor de uns para com os outros, vos está sendo abençoadamente concedida, pelo ponto em comum que une a todos vocês e que os elevam diante dos Condutores da Justiça de Deus. E este ponto em comum, que os faz confraternizar entre vós meus queridos irmãos em Cristo, é o amor incondicional e profundamente devotado e gracioso, que todos sem exceção, vivenciam e nutrem por Victor e Victória. Este divino amor pelas crianças é a credencial da indulgência, ora oferecida a vocês em grupo.
Iniciem-se a confraternização, a fraternidade e a caridade espiritual entre todos, e sejam felizes... e façam felicidade.
Voltamos a repetir... Não se iludam, pois mesmo a partir desta nova consciência, não estão vocês quites uns com os outros, pois novas existências em grupos e em relações diferentes das experimentadas hoje, ainda terão que acontecer nesta crosta terrestre, porém, em suas próximas experiências estarão apenas vocês, uma vez que, Victor e Victoria serão alçados a outras missões mais importantes que a atual.
Finalizando... Quanto mais cedo e concretamente iniciarem todos em suas reformas, melhor, pois menos e mais suaves serão suas provas e expiações, e conseqüentemente, mais se adiantarão rumo a busca dos valores morais e espirituais, característicos e inerentes aos espíritos obedientes a Deus.
Assinando: Amigos do Plano Superior
Desta feita, Henrique não precisou solicitar silêncio ao grupo, pois que, todos enternecidos se entreolhavam e refletiam sobre todo o amor e esclarecimento celeste, contido naquela mensagem tão caritativa.
Foi o Sr. Haroldo, que aos prantos de emotividade, quebrou o silêncio e contemplando a todos, exclamou:
- Não sei as coisas horríveis que fiz, nem a quem fiz, por isso, eu peço desculpas a todos e, que me perdoem, me auxiliem e me permitam tornar-me melhor!
D. Violeta, também muito emocionada, se aproxima um pouco mais do marido e o abraçando e o afagando, murmura:
- Todos nós temos que nos tornar melhores para com os outros, me desculpem você meu marido e você meu amado filho, pela minha má vontade, me desculpem pelo amor de Deus!
Vicente também se abraça a Hilda e propõe:
- Nós também, bem que poderíamos melhorar... Quem sabe se nos esforçarmos para a nossa vida fora do quarto se tornar tão boa, como o é no quarto em nossas noites de amor.
Hilda corrobora:
- Vamos fazer um trato, quando um começar a implicar, o outro lhe lembra sobre "o quarto" e aí vai com certeza desarmar o outro. Os dois se abraçaram e riram a valer do pacto que acabavam de celebrar
.
Helena, totalmente amolecida, olha para o irmão Henrique e diz:
- Henrique, você acha que esse viúvo gostosão do seu amigo, ainda vai levar quanto tempo para me dar uma idéia mais forte...?
Henrique olha para o amigo e coloca:
- E aí Davi, não é tudo o que você mais queria... Está esperando o quê?
Davi, um tanto quanto surpreso e tímido como sempre, diz:
- Helena, vamos até a varanda para conversarmos?
Helena, fanfarrona como sempre, arremata:
- Nada disso... Só conversarmos não... Vamos nos dar um amasso bem gostoso, pois isso já demorou por demais para acontecer. E se vão os dois já abraçadinhos para a varanda.
Henrique, extasiado de testemunhar tanta sabedoria e luzes vindas do Plano Espiritual, é o último a se recolher e quando passa pela porta do quarto dos sobrinhos, se dirigindo aos seus aposentos, percebe que os dois não estavam dormindo, pois riam muito. Intuiu então, que eles deviam ter conhecimento de tudo o que estava ocorrendo e em tom de brincadeira lhes diz:
- Vocês não acham que já aprontaram de mais hoje, e que já está muito tarde para ainda estarem acordados?
Victor:
- É verdade tio, nós já vamos dormir, mas antes queríamos lhe contar um segredinho.
Victória:
- O segredinho tio, é que em 1739 o senhor era nosso paizinho!
Henrique, muito emocionado vertendo lagrimas de amor por tal revelação, arremata:
- Agora vocês vão dormir, o.k.? Mas durmam sabendo que este "segredinho", em verdade, me transformou no homem mais feliz de todo esse nosso Planeta.
Entreolharam-se com extrema emoção e Henrique se aproximou e enternecidamente os beijou e por eles foi beijado, dirigindo-se em seguida aos seus aposentos.
Os componentes do clã do Sr. Haroldo, não se transformaram em santos ou algo assim, mas se reformaram abençoadamente, após aquela "Festa de Aniversário". As dores de cabeça de Sr. Haroldo desapareceram e ele também não sentia mais os impulsos de martelar metais. Ele e D. Violeta se converteram ao Espiritismo, sempre acompanhando Henrique, os netinhos e a filha Helena as reuniões espíritas. Davi, é óbvio, por ter uma religião convicta não a abandonou, todavia, não se conflita com a nova opção religiosa da noiva Helena.
Hilda e Vicente também permanecem com suas convicções religiosas, mas, não impõe resistências a opção dos filhos de se tornarem Espíritas.
Henrique vive sorrindo o tempo todo e sempre repete para quem queira ouvir:
- Eu sou realmente, o homem mais feliz do Planeta Terra!!!
RECIFE 1739 > RIO DE JANEIRO 2006
Clemêncio > Haroldo
Demóstenes > Violeta
Carlota > Helena
Joana > Hilda
Tobias > Vicente
Andrada > Davi
Mariana > Sandra
Otávio > Henrique
Antero > Victor
Maria > Victória
2006 (RIO DE JANEIRO)
Perfil dos Protagonistas atuais:
(Tomo como personagem principal para esta apresentação o Sr. Haroldo, chefe do núcleo familiar em tela):
Haroldo (pai) - Pessoa boa e idônea, de caráter firme, bem humorado e de idéias e atitudes benévolas. Interessado e simpático a Crença Espírita, mas não convicto ainda, até porque não a pratica, só tratando dela em longas conversações com o filho caçula.
É proprietário de uma oficina de tornearia mecânica de porte médio. Empresa esta, que se solidificou graças a sua destreza e habilidade, quase que artística ao manufaturar as peças que lhe são encomendadas, pedidos estes, que lhe chegam de vários estados do país e cujo faturamento, lhe proporciona confortável situação econômica, permitindo-lhe atender globalmente as necessidades materiais da família.
É um marido extremamente fiel, dedicado e apaixonado pela esposa, entretanto, essa sempre que está com ele a sós, não perde oportunidade em atormentá-lo e angustiá-lo, demonstrando por ele estranha e inexplicável aversão, o que obviamente, deixa o Sr. Haroldo muito entristecido, intrigado e infeliz.
O Sr. Haroldo de tempos em tempos, entra em depressão após conflitos mais exacerbados com sua esposa. Nestas oportunidades ele se recolhe a sua oficina, onde exibe reações estranhas, tais como, ficar martelando insistentemente pedaços de metais, como que, se lhe pretendesse mudar as formas. Insiste nessas batidas por horas dentro da noite, até chegar a exaustão e por lá mesmo dormir.
No dia seguinte ao despertar se mostra inquieto; pertubado com a repetição destes impulsos e brinca consigo mesmo:
"Será que em meu intimo eu estou querendo trocar minha profissão de torneiro pela de artesão ou escultor”?
Sofre de uma dor de cabeça diária e tormentosa, que o acomete desde o dia seguinte ao seu casamento. Estas dores se iniciam as 06:00h da manhã e perduram por meia hora, só se interrompendo as 06:30h. Os médicos não conseguem diagnosticar tal mal, nem lhe prescrever medicamento eficaz.
O Sr. Haroldo se relaciona bem com toda a família, exceto com sua esposa, D. Violeta.
Apresenta algumas reservas a um amigo do filho caçula, mas o trata com distinção e respeito.
O filho caçula e os netinhos são o seu xodó.
Haroldo tem 55 anos.
Violeta - (esposa de Haroldo) - é uma pessoa tensa e um tanto intolerante.
O esposo e o filho, bem que tentam constantemente tocarem seu coração, porém, ela sempre os repelem, com o filho de forma acintosa e pública e com o marido de maneira mais velada, quando na presença de alguém, contudo, quando estão a sós ela o espezinha e o maltrata, achando que assim, mantém as aparências para todos, do péssimo casamento que sustentam.
Em algumas oportunidades, D. Violeta experimenta real prazer ao presenciar as crises matinais de dores de cabeça do marido, mas logo, recupera a razão e arrepende-se de tais sensações prazerosas com o sofrimento de Haroldo e fica consternada, por não entender a alegria que lhe dá ver aquele homem sofrendo tanto.
O restante do núcleo familiar, exceto o caçula, recebe dela a atenção, o carinho e os cuidados de uma mãe zelosa e amorosa.
Não tem convicção religiosa e se alterna entre freqüentar os cultos Católicos Romanos e de Umbanda.
Apresenta-se uma pessoa mais velha do que o é, pois esta constantemente melancólica e sem ânimo, quando na presença ou em contato com o filho e com o marido. É extremada avó, fazendo pelos netos o possível e o impossível para vê-los felizes e realizados.
Violeta tem 50 anos.
Helena - (filha) - Bastante insensível e por vezes, de tão prática, chega às raias da crueldade. É completamente avessa aos valores padronizados de conduta moral, porém, sem se tornar vulgar, só vislumbra obter vantagens materiais em suas empreitadas.
É secretária executiva de um holding.
Só se mostra dócil e gentil com um amigo da família e muito ligado a seu irmão, mas tenta o ignorar como homem, embora, se sinta atraída por ele, pois o acha muito conservador e moralista. Utiliza-se de sua beleza física e persuasão para formar uma legião de homens apaixonados, os quais, ela impiedosamente ignora e os rotula por fracos sentimentalistas.
Inúmeras vezes fez projetos de ir morar sozinha, mas nunca conseguiu fazê-lo, porque não consegue conceber a hipótese de se afastar de seus sobrinhos, pelos quais é totalmente apaixonada e dedicada.
É Deísta.
Helena tem 25 anos.
Davi - (vizinho) - Jovem viúvo e Judeu por crença, possuidor de grande patrimônio imobiliário e de uma empresa de ônibus.
Extremamente apaixonado por Helena. Casou-se com uma jovem de sua religião de nome Sandra.
Sofreu por parte de Sandra a traição da infidelidade conjugal, pois a moça o traia acintosamente com outros homens, sem o menor pudor em poupá-lo emocional e socialmente. Sandra apareceu morta em um motel juntamente com um amante, por overdose de entorpecentes.
Davi amargou o dissabor de toda esta situação, mas religioso e convicto, não se deixou amargurar de forma drástica.
Por sempre ter amado Helena, se imaginava em outra situação, se talvez não tivesse optado pela tradição e se submetido a um casamento religioso e de conveniências.
É amicíssimo do irmão de Helena e só a ele confidencia sua paixão por ela.
Ficou viúvo aos 29 anos, permanecendo casado com Sandra apenas um ano. É também extremamente apegado e fascinado pelas crianças da família, sempre os presenteando com objetos finos e caros.
Davi tem 30 anos
Hilda e Vicente - (filha e genro) - Filha mais velha do Sr. Haroldo, mostra-se autoritária e orgulhosa de sua crença religiosa (protestante), é casada com Vicente que é muçulmano praticante mas não radical, e como a mulher, muito pragmático ao defender as máximas de sua crença.
O casal só se entende quando estão na prática do ato sexual, fora do quarto estão sempre estranhando-se um com o outro, ou com os outros membros da família, pois não perdem oportunidade em tentar impor ascendência moral e religiosa aos outros.
Ao Sr. Haroldo toleram e respeitam, por serem dele dependentes econômicos, pois Vicente é empregado burocrático e sem importância dentro da companhia de seguros em que trabalha.
O alvo preferido pelo casal é o irmão mais novo e único Espírita da casa, que diariamente ouve as críticas e censuras do casal à sua opção religiosa. Hilda divide com a mãe as tarefas de manutenção da casa. O casal é os pais das crianças já citadas e se mostram obstinados em amá-los e protegê-los.
Ambos têm 32 anos.
Henrique - (filho caçula) - Trabalha na oficina do pai e estuda medicina por absoluta vocação.
Consegue ainda tempo para se doar em voluntariado às obras sociais mantidas pelo Centro Espírita “Mansuetude, Caridade e Perdão”, no qual labora física e espiritualmente desde sua adolescência.
Mostra-se, com comportamento irrepreensível, é cordato, tolerante e fraterno.
Sempre tenta interferir benevolamente nos conflitos da família, porém, por ser confesso praticante da Doutrina Espírita Cristã e viver em um núcleo familiar composto por descrentes e por crentes de outras religiões, quase sempre, não é considerado em suas intervenções e, em algumas oportunidades é até estigmatizado.
Preocupa-se sobejamente com a condição de infelicidade conjugal a que estão submergidos seus pais.
Dos adultos, somente o pai e o amigo Davi lhe são gentis e solidários.
Os sobrinhos lhe são extremamente fraternos, queridos e afetuosos, e estão sempre prontos (embora muito jovens) a apoiá-lo e incentivá-lo, quando o tio é maltratado ou destratado por alguém.
Henrique pressente, que aquelas crianças tão amadas e dóceis, vão ser um dia a âncora e sustentáculo de todas as diferenças daquela desajustada família.
Davi tem 22 anos.
Victor e Victória - (netos) - São as crianças já tão exaustivamente mencionadas anteriormente.
São gêmeos e filhos de Hilda e Vicente. Apresentam desde o dia de seu aniversário, quando completaram cinco anos, sinais esporádicos de manifestação medianímica, manifestações estas, que ultimamente, vêm se apresentando de forma mais latente e pronunciada, o que deixa a família completamente aturdida e dividida. São crianças muitíssimo inteligentes e dedicadas as atividades escolares. Demonstram total unidade entre si e mantêm com o tio Henrique uma relação de afetuosidade e identidade, que surpreende a todos os outros membros da família. Aliás, isto vem a ser, mais um problema para Henrique, que constantemente é acusado de incutir crendices nas consciências das crianças.
Os gêmeos têm onze anos.
ORIGEM DA TRAMA (RECIFE 1739)
Clemêncio era homem de destaque da sociedade recifense, por sua importância no cenário artístico e cultural da cidade. Era escultor renomeado nacional e internacionalmente, arte esta, que lhe atribuía considerações distintivas, reconhecimento e uma razoável fortuna. Fazia exposições de seus trabalhos nas capitais mais importantes da Europa naqueles idos anos.
Ao retornar de uma destas viagens, descobre ter sido traído por sua esposa Mariana e por seu amigo Andrada, que era noivo Carlota, moça recatadíssima e de família influente na sociedade recifense.
O casal de infiéis ao serem avisados que foram descobertos, fogem de Recife. Clemêncio transtornado pela dor e pela vergonha inicia a investigar como os fatos se sucederam e descobre que Demóstenes, seu escravo e discípulo, é quem favorecia os encontros do casal de adúlteros e, que inclusive fora ele, quem os preveniu da descoberta dele e os auxiliou na fuga.
Clemêncio manda buscar o “mestiço” Demóstenes para uma conversa em seu atelier e durante violenta discussão com o mesmo, se enfurece e com o martelo que utilizava para dar forma as suas esculturas, desfere violento golpe sobre a cabeça de Demóstenes, que cai mortalmente ferido e agoniza da hora do golpe as 06:00 h da manhã até morrer em completa desesperação, meia hora após.
Ao aperceber a insanidade que cometera, solicita ao seu outro discípulo, também escravo de nome Otávio, e a que tudo assistira para socorrer o amigo e abandona o local em completo pânico e arrependimento. Otávio, testemunha ocular da sórdida cena sem nada poder fazer, pois estava muito fragilizado e doente, tenta durante os trinta minutos de agonia do amigo salvar-lhe a vida, e óbvio, que sem conhecimento algum sobre medicina, nada consegue fazer e assiste ao derradeiro suspiro de Demóstenes.
Otávio que já se encontrava em fase adiantada da tuberculose, doença esta, que há dois anos passados, também havia privado da vida sua esposa, que lhe deixou um casal de crianças para que ele criasse sozinho.
Pressentindo que sua hora não estava longe (desenlace), resolve silenciar sobre o testemunho do crime, após seu patrão lhe prometer amparo e educação para seus filhos gêmeos Antero e Maria.
Otávio que era um homem bom e justo, acaba acelerando o seu próprio desencarne, amargurado e corroído pelo remorso, vem a falecer alguns dias depois e exatamente no dia do aniversário de seus gêmeos, quando estes completavam cinco anos.
Joana era uma solteirona bonita e prendada, irmã e única parenta de Clemêncio e que mantinha uma "relação pecaminosa" de sexo há quinze anos com o padre Tobias, que na época era o capelão da Capital.
Joana insistia para que Tobias renunciasse ao sacerdócio, para que pudessem sair do "pecado", mas ele não admitia tal hipótese.
Quando destas crises de culpa, o casal decidia se separar e não mais se verem, mas bastavam alguns dias e lá estavam eles juntos em "pecado" novamente. Por não conseguirem se afastar um do outro e por já se comentarem sobre seu envolvimento, resolvem fugir de Recife, sendo, que nunca mais notícias se teve dos dois.
Sem a irmã para ajudá-lo na organização da casa e para supervisionar as necessidades inerentes a criação dos filhos gêmeos do falecido Otávio, Clemêncio propõe um casamento de aparências a Carlota, que sem horizontes maiores, aceita.
Casaram-se, mas nunca conseguiram se tocar mais intimamente e dedicam suas vidas a partir daí, a promoverem e cuidarem dos gêmeos Antero e Maria.
O HIATO ENTRE 1739 E 2006
Após os dramas conflitantes de 1739 na cidade de Recife, os protagonistas envolvidos, obtiveram do Plano Superior, mais duas reencarnações em rumos diferentes, em virtude dos Mestres anteverem, que não era ainda, conveniente, à reunião provatória e expiatória de todo o grupo, em conseqüência de se haver muito rancor entre alguns deles.
Cada qual em suas experiências novas, somente os gêmeos Antero e Maria, que já eram espíritos razoavelmente evoluídos e não comprometidos com o enredo de delitos de Recife, aproveitaram ao máximo estas duas oportunidades reencarnacionais.
Otávio só não o fez melhor, por ter um peso consciencial muito grande a expiar, porém foi quase perfeito.
Clemêncio também se esforçou bastante rumo a reforma moral (espiritual).
Andrada, não de forma tão intensa, mas aproveitou razoavelmente as duas oportunidades oferecidas.
Demóstenes, Carlota, Joana, Tobias e principalmente Mariana, não conseguiram aproveitamento de relevância desejável nestas duas últimas experiências na carne e se mantiveram estacionários em suas escalas evolutivas rumo progresso espiritual.
Ficou estabelecido pela Justiça Divina do Cosmos Superior, que a próxima reencarnação de todos (em relação) se iniciaria próximo ao meio do século XX, e que desta feita todo o grupo viria em laços de sangue e relacionamento.
Ficou também estabelecido os que viriam em prova, os que viriam em expiação e os gêmeos que viriam em missão de socorro e assistência a todo o grupo.
2006- RIO DE JANEIRO
Os conflitos e discórdias continuam abalando o núcleo familiar do Sr. Haroldo e D. Violeta. Os problemas de relacionamentos baseados no rancor, desgastam a todos e ao mesmo tempo, os intriga do porque, de todos permanecerem juntos e sempre se magoando uns aos outros.
Enfim, todos perguntavam a si próprios as causas de tanta desarmonia e melancolia. Porque isto ocorria com eles e em outras famílias de seus relacionamentos não?
No mês de Janeiro de 2006, quando toda a família, mais o amigo David, se encontravam em uma reunião íntima de comemoração do aniversário dos gêmeos que completavam 10 anos, exatamente, na hora de se cantar o tradicional "parabéns", Victória exibe uma certa transfiguração fisionômica bastante acentuada, parecendo se iluminar de divina e celeste luz, silenciando-se e parecendo a todos estar ausente dali. Todos notam e se preocupam, por não entenderem o que está acontecendo.
De repente aquele silêncio contemplativo é interrompido pela voz de Victor, que diz:
- Por favor... a Victória está pedindo um lápis e papel para que eu faça algumas anotações.
Henrique, conhecedor dos processos de manifestações mediúnicas, olha para todos e com o dedo indicador erguido o leva diante dos lábios, naquele gesto tão característico de solicitar silêncio, e logo após, se dirige à mesinha do telefone, onde pega um bloco de papel e um lápis, que ali se encontravam e os entrega docilmente a Victor.
Henrique percebendo que alguns dos presentes poderiam intervir naquele momento tão transcendente, por ansiedade e/ou ignorância, branda e fraternalmente, diz:
- Independente de nossas crenças religiosas, todos nós acreditamos em Deus, e com certeza absoluta o que estamos, iniciando a testemunhar aqui, é à vontade Dele, por isto, não interfiramos e aguardemos o desfecho do que há por vir.
Imediatamente ao encerramento das providenciais colocações feitas por Henrique, Victor que a esta altura já exibia a iluminada aparência de Victória, inicia a escrever, demonstrando nitidamente, estar em transe de comunicação telepática com a irmã.
Henrique, mais uma vez rompe o silêncio pasmo, que todos experimentavam e quase sussurrando, solicita a todos que elevem seus pensamentos ao Deus Pai Criador e Todo Poderoso, para que com seus eflúvios benevolentes, possam humildemente auxiliar aos queridos Victor e Victória nestes momentos de sublimes bênçãos.
Todos os presentes, prontamente atendem a Henrique e se colocam em fraterna, real e benévola confraternização de elevação de seus pensamentos ao Altíssimo. Passados alguns minutos, ninguém ali presente poderia precisar com exatidão o tempo de duração daquela real emanação de paz e luz que a todos contagiava, despertam pelo som da voz de Victória, que interpela:
- Porque todos estão com essas caras de bobo e não começam a cantar logo os parabéns?
Victor completa:
- Está todo mundo com cara de bêbado e ninguém bebeu... (todos gargalham com as falas das crianças).
Henrique mais uma vez chama para si a responsabilidade do controle da situação e diz:
- Claro que vamos cantar sim, pois para todos nós que aqui estamos, este é o dia mais feliz de nossas vidas e, não aconteceu nada aqui de extraordinário, até pelo contrário, que nos impeça de continuar nossa festinha... E vamos logo iniciar a cantoria... Parabéns pra você...
Enquanto todos cantavam, Henrique gesticulou, sinalizando a seu pai que era quem estava mais próximo de Victor, que recolhesse o lápis e o bloco de anotações, que continha a escrita psicografada pelo menino.
O Sr. Haroldo com descrição e astúcia, recolhe o material e o guarda no bolso interno do paletó.
Após a cantoria, os beijos, abraços e a distribuição de presentes, Henrique, percebendo ainda o clima de ansiedade dos adultos, toma a palavra e sugere de forma velada, que:
- Por favor, mais uma vez eu solicito a todos que se controlem em suas ansiedades naturais, pois para tudo se tem uma explicação, e a explicação está naquele "documento" guardado com o papai e que com certeza eu, dentro de minhas tímidas possibilidades e conhecimentos transcendentais, poderei ajudar a todos no que concerne a uma explicação, bastando para isto, que aguardemos a hora certa que garanto não ser agora.
Victor e Victória, mostrando-se "desconhecedores" sobre o que Henrique estava falando, fazem carinha de curiosos e coube a Victor questionar:
- Sobre o que o senhor está falando tio?
- De nada meu amor, ou melhor, são assuntos de gente grande, assuntos sem maiores importâncias.
A partir daí, todos se mostraram menos ansiosos, por entenderem que Henrique não achava conveniente envolver as crianças, uma vez, que elas pareciam não se lembrarem de nada.
A confraternização continuou e após as crianças se recolherem para dormir, todos quase que instantaneamente, avançaram na direção de Henrique e falando ao mesmo tempo, não se faziam entender, só causando confusão com seus questionamentos e apreensões.
Em meio a tal tumulto, o Sr. Haroldo com a autoridade que quase nunca demonstrava, dá um grito de basta, e determina:
- Calem a boca todos vocês!!! E vamos mais uma vez ficar quietos e atentos, pois, se o Henrique nos garantiu uma explicação certamente ele a têm.
E em seguida retira do bolso o bloco de notas, entregando-o ao filho.
Henrique antes de ler o contido no bloco, olha para todos profundamente e obtempera:
- O papai tem razão e vocês precisam colaborar com silêncio e boa vontade, se realmente estão empenhados em se esclarecerem!
Após uma breve pausa com todos em silêncio e ansiosos por ouvi-lo, reiniciou o Espírita Henrique a desenvolver suas considerações:
- Deus é infinitamente Justo, Bom e Único, e Ele não recomendou a nenhum de nós os seus filhos, que nutrissem fé nesta ou naquela crença. A autoria das diversas religiões existentes, exceto o Espiritismo, são de origem do homem, baseados nos ensinamentos dos diversos mensageiros de Deus, que aqui na Terra estiveram em missões de nos religar ao Todo Poderoso, em épocas e situações diferenciadas e de acordo com a evolução intelectiva e sensorial de nossa humanidade, em cada qual dessas épocas. E se Ele, o Deus Único de todos nós, permitiu a fundação de tantos e diversos credos religiosos, é porque todas levam a humanidade a elevar-se a Ele.
Todos nós sabemos, que desde os cinco anos de idade, nossos ternos e queridos Victor e Victória, também no dia de seus aniversários, iniciaram a evidenciar sinais de serem um tanto diferenciados de nós. Nós, os Espíritas, chamamos a esta “diferença”, ou hiper-sensibildade dos sentidos, de mediunidade, que quando usada para o bem é um presente de Deus, em socorro do esclarecimento e da evolução espiritual de seus filhos aqui na Terra.
Quem aqui não se lembra das audições e visões que ninguém percebia e que os dois desfrutavam e muitas vezes nos narravam. Ultimamente, percebemos também que os dois constantemente quando estão separados por qualquer razão, se comunicam entre si telepaticamente, pois além de médiuns, são também anímicos.
O que ocorreu aqui hoje, da forma mais espontânea e maravilhosa, com certeza, foi uma intervenção, ou melhor, está sendo, uma intervenção do Mundo Espiritual Superior, cujo regente neste nosso Orbe Terrestre é o Nosso Senhor Jesus Cristo, e que utilizaram nossas crianças para nos enviarem alguma mensagem de esclarecimento evolutivo, pertinente a um de nós, ou à parte de nós, ou mesmo, a todos nós.
Vamos agora a leitura e interpretação da mensagem psicografada por Victor e transmitida a ele por Victória:
- “Ninguém está junto em laços de família ou de relação, sem que estejam atendendo as suas vontades, ou a diretrizes da Dimensão Espiritual do Cristo de Deus
Também, não estão vocês (complementa Henrique: Nós), reunidos nesta encarnação ocasionalmente, e sim, para que avancem juntos em seus compromissos evolutivos, resgatando e reparando suas faltas também cometidas em grupo, num passado não muito longínquo .
Suas diferenças rancorosas, surgiram há muito tempo atrás, e todos aqui presentes, já reencarnaram duas outras vezes, em rumos diferentes após 1739, época em que, construíram todos os dramas que hoje purgam.
Foram-vos permitidas estas encarnações anteriores a essa atual, e conseqüentemente, posteriores aos fatos ocorridos em 1739, porque alguns de vós mais endurecidos em suas zangas, resistiam a idéia de novamente se unirem em grupo, para a reparação e perdão de vossos equívocos e crimes a lei de evolução, cometida em prol de vossas paixões materiais.
Os próprios Condutores da Evolução na Dimensão Espiritual acharam por bem, que esta vossa reunião fosse adiada e, por isto, reencarnaram vocês nas duas vezes anteriores divorciados do relacionamento, porém, agora por determinação superior, novamente estão em relações na vida corpórea em laços de sangue, de amor e de amizade .
Divina e indulgente oportunidade de vos repararem de suas faltas passadas, com amor, perdão, tolerância, caridade e retos no caminho do bem.
Pela má vontade e antipatia que alguns de vocês têm demonstrado para com os outros, acrescidos do não aproveitamento sábio destes, em suas duas últimas reencarnações em separados, enfim, pelas resistências oferecidas por alguns mais apegados às idéias inatas e intuitivas do pretérito, no sentido de imputarem o revanchismo e punirem uns aos outros, dando destacado lugar e importância à animosidade e a recrudescência da insana e involutiva vingança, em detrimento da sedução e da conciliação, hão de continuar ainda, a perseverança em busca da luz e, também, ainda, em conflitos por algumas existências, e como a presente, obrigatoriamente juntos e em relação.
A indulgência da espiritualidade em vos alertar agora, e com isto, permitir-vos a oportunidade da reparação pelo amor de uns para com os outros, vos está sendo abençoadamente concedida, pelo ponto em comum que une a todos vocês e que os elevam diante dos Condutores da Justiça de Deus. E este ponto em comum, que os faz confraternizar entre vós meus queridos irmãos em Cristo, é o amor incondicional e profundamente devotado e gracioso, que todos sem exceção, vivenciam e nutrem por Victor e Victória. Este divino amor pelas crianças é a credencial da indulgência, ora oferecida a vocês em grupo.
Iniciem-se a confraternização, a fraternidade e a caridade espiritual entre todos, e sejam felizes... e façam felicidade.
Voltamos a repetir... Não se iludam, pois mesmo a partir desta nova consciência, não estão vocês quites uns com os outros, pois novas existências em grupos e em relações diferentes das experimentadas hoje, ainda terão que acontecer nesta crosta terrestre, porém, em suas próximas experiências estarão apenas vocês, uma vez que, Victor e Victoria serão alçados a outras missões mais importantes que a atual.
Finalizando... Quanto mais cedo e concretamente iniciarem todos em suas reformas, melhor, pois menos e mais suaves serão suas provas e expiações, e conseqüentemente, mais se adiantarão rumo a busca dos valores morais e espirituais, característicos e inerentes aos espíritos obedientes a Deus.
Assinando: Amigos do Plano Superior
Desta feita, Henrique não precisou solicitar silêncio ao grupo, pois que, todos enternecidos se entreolhavam e refletiam sobre todo o amor e esclarecimento celeste, contido naquela mensagem tão caritativa.
Foi o Sr. Haroldo, que aos prantos de emotividade, quebrou o silêncio e contemplando a todos, exclamou:
- Não sei as coisas horríveis que fiz, nem a quem fiz, por isso, eu peço desculpas a todos e, que me perdoem, me auxiliem e me permitam tornar-me melhor!
D. Violeta, também muito emocionada, se aproxima um pouco mais do marido e o abraçando e o afagando, murmura:
- Todos nós temos que nos tornar melhores para com os outros, me desculpem você meu marido e você meu amado filho, pela minha má vontade, me desculpem pelo amor de Deus!
Vicente também se abraça a Hilda e propõe:
- Nós também, bem que poderíamos melhorar... Quem sabe se nos esforçarmos para a nossa vida fora do quarto se tornar tão boa, como o é no quarto em nossas noites de amor.
Hilda corrobora:
- Vamos fazer um trato, quando um começar a implicar, o outro lhe lembra sobre "o quarto" e aí vai com certeza desarmar o outro. Os dois se abraçaram e riram a valer do pacto que acabavam de celebrar
.
Helena, totalmente amolecida, olha para o irmão Henrique e diz:
- Henrique, você acha que esse viúvo gostosão do seu amigo, ainda vai levar quanto tempo para me dar uma idéia mais forte...?
Henrique olha para o amigo e coloca:
- E aí Davi, não é tudo o que você mais queria... Está esperando o quê?
Davi, um tanto quanto surpreso e tímido como sempre, diz:
- Helena, vamos até a varanda para conversarmos?
Helena, fanfarrona como sempre, arremata:
- Nada disso... Só conversarmos não... Vamos nos dar um amasso bem gostoso, pois isso já demorou por demais para acontecer. E se vão os dois já abraçadinhos para a varanda.
Henrique, extasiado de testemunhar tanta sabedoria e luzes vindas do Plano Espiritual, é o último a se recolher e quando passa pela porta do quarto dos sobrinhos, se dirigindo aos seus aposentos, percebe que os dois não estavam dormindo, pois riam muito. Intuiu então, que eles deviam ter conhecimento de tudo o que estava ocorrendo e em tom de brincadeira lhes diz:
- Vocês não acham que já aprontaram de mais hoje, e que já está muito tarde para ainda estarem acordados?
Victor:
- É verdade tio, nós já vamos dormir, mas antes queríamos lhe contar um segredinho.
Victória:
- O segredinho tio, é que em 1739 o senhor era nosso paizinho!
Henrique, muito emocionado vertendo lagrimas de amor por tal revelação, arremata:
- Agora vocês vão dormir, o.k.? Mas durmam sabendo que este "segredinho", em verdade, me transformou no homem mais feliz de todo esse nosso Planeta.
Entreolharam-se com extrema emoção e Henrique se aproximou e enternecidamente os beijou e por eles foi beijado, dirigindo-se em seguida aos seus aposentos.
Os componentes do clã do Sr. Haroldo, não se transformaram em santos ou algo assim, mas se reformaram abençoadamente, após aquela "Festa de Aniversário". As dores de cabeça de Sr. Haroldo desapareceram e ele também não sentia mais os impulsos de martelar metais. Ele e D. Violeta se converteram ao Espiritismo, sempre acompanhando Henrique, os netinhos e a filha Helena as reuniões espíritas. Davi, é óbvio, por ter uma religião convicta não a abandonou, todavia, não se conflita com a nova opção religiosa da noiva Helena.
Hilda e Vicente também permanecem com suas convicções religiosas, mas, não impõe resistências a opção dos filhos de se tornarem Espíritas.
Henrique vive sorrindo o tempo todo e sempre repete para quem queira ouvir:
- Eu sou realmente, o homem mais feliz do Planeta Terra!!!
Antônio Poeta

